Chá de Cadeira

Levar um chá de cadeira
Já virou uma tradição
um costume, uma cultura,
Esperar na imensidão;
É o chá da paciência,
É mania em toda a nação.

O sujeito é bem recebido,
As vezes é até engraçado;
Quando entra vê um sorriso
Sorria, você está sendo filmado;
Mas, logo oferecem a cadeira,
Pro sujeito ficar deitado.

Tá tudo na hora marcada,
Reservado com antecedência;
Telefonou antes, pra garantir,
Na mais perfeita decência;
Mas, é tudo faz de conta,
Relaxe, é melhor ter prudência.

Tanto faz posto de saúde,
Ou no consultório arrumado;
Segure sua dor aí dentro,
Até você ser sorteado;
Pra dor de dente ou de rins,
O chá de cadeira tá preparado.

As vezes no Hospital,
Parece o globo da morte;
O sujeito girando em círculo,
Subindo e descendo forte;
O médico escolhe um,
Que escapará por sorte.

Olhando um pra cara do outro,
Feito um palhaço enfeitado;
O paciente ri e chora;
Na chocadeira é chocado,
Sente vontade de gritar,
Mas, fica encolhido, calado.

O chá de cadeira é assim,
É um senta levanta danado;
Vai lá no banheiro faz xixi;
Olha no espelho o penteado;
Reza uma Ave Maria, um Pai Nosso,
Quer o milagre realizado.

Quando volta é a mesma coisa,
Ninguém sabe, ninguém viu;
Quando vai ser atendido?
Só quando queimar o paviu,
Dá vontade de mandar;
Lá pra ponte que caiu.

Se for na fila do banco,
A coisa é bem mais pior;
Tem banco que dá cadeira,
Pois sente pena e tem dó;
Mas, tem banco ganancioso,
Fila é surra de cipó.

Se for pra pagar imposto,
A fila é fenomenal;
Quando não tem greve ou feriado,
O funcionário é genial;
Nem sabe que sou seu patrão,
A minha espera é total.

O chá de cadeira quem toma,
Vai ficando acostumado;
Ele se destina ao estresse,
Aquele que chegou apressado;
Acalmou o seu juízo,
Vai ficando alí sentado.

O político é quem produz,
Chá de cadeira em montão;
Todo dia é romaria,
Sua casa virou um salão;
Eleitor é que é paciente,

Bicho homem é ignorante,
Egoísta e trapaceiro;
Entra e sai pela porta dos fundos,
Pra ninguém saber seu roteiro;
Só não lembra da verdade,
Os últimos serão os primeiros.

Este nome, paciente,
É muito bem empregado;
O sujeito se sujeita,
A dormir em pé ou sentado;
Abre a boca, cochila e ronca,
Até a hora de ser chamado.

Pimenta nos olhos do outro,
É refresco de maracujá;
Que atende tem obrigação,
No lugar do outro ficar;
Jesus ensinou faz tempo,
O bem que fizeres, receberá.

O chá de cadeira solene,
É o chá que a noiva dá;
400 convidados esperando,
E o noivo lá no altar;
Olha 100 vezes pra porta,
Esperando a noiva chegar.

O melhor chá de cadeira,
É o chá do menino novo;
Nove meses ali sentado,
A barriga é seu tesouro;
Come e bebe do melhor,
Nadando em berço de ouro.

Quem espera sempre alcança,
A esperança nunca morre;
Um dia vou ser bem atendido,
Tomar este chá é um porre;
Nunca farei com ninguém,
Esteja no sul ou no norte.

Leôncio Queiroz

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